A barragem do Tua

A dádiva à EDP ainda dá que falar.

Em nome da hipocrisia de uma energia “limpa”, atentos os fortíssimos impactos ambientais que irá gerar, o Estado prefere gastar 2,6 mil milhões de euros a construir a barragem de Foz Tua, dos quais 1,5 mil milhões de euros correspondem a lucros limpos para a EDP, em vez de investir uma parte desse dinheiro no benefício real de Trás-os-Montes, que é a região portuguesa mais próxima do Centro da Europa e, curiosamente, a mais pobre, e na reabilitação da Linha do Tua, que representa um verdadeiro monumento nacional e que é uma ligação estratégica à rede ferroviária nacional.

(…)

A acrescentar, a barragem continua em construção, com base num contorno habilidoso das exigências da UNESCO, materializado na omissão da forma como irá ser ultrapassada a questão da linha de alta voltagem que ligará a central de Foz-Tua a Valdigem, sem ferir a paisagem do Alto Douro vinhateiro, questão que foi levantada desde o início do projeto e cujo custo total se desconhece e que irá onerar ainda mais o investimento em curso, pelo que não está totalmente garantido que aquela entidade não venha a alterar a sua posição atual.

Coisas de políticos sérios e responsáveis, portanto.

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