Há quem descubra o óbvio um bocado tarde

Diário de Notícias

“Nas economias avançadas, o rácio da dívida em relação ao PIB atingiu (em 2015) o nível mais elevado desde 1950. O aumento das dívidas foi particularmente acentuado em comparação com o início da Grande Recessão, quando muitos governos agiram no sentido de resgatar o sistema financeiro e estimular a atividade económica à custa de um substancial aumento da dívida pública. Numa época de baixa inflação e baixo crescimento, a desalavancagem é difícil. Ao mesmo tempo, com os títulos de dívida em mínimos históricos, a política fiscal passou a ter um papel mais ativo no sentido de evitar um novo crescimento abaixo da média e uma inflação extremamente baixa”, começa por explicar o antigo ministro das Finanças do governo PSD-CDS.

Gaspar cita três economistas do FMI, que num trabalho publicado no ano passado defendiam que um elevado rácio de dívida pública prejudica os padrões de vida dos países e o crescimento. No entanto, na visão do diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais do FMI, “após um elevado aumento do rácio da dívida, os impostos devem ser aumentados apenas na medida necessária para estabilizar a dívida. Aumentar a carga fiscal mais do que o necessário, apenas para reduzir a dívida, não seria eficiente porque a carga fiscal excessiva cresce mais do que proporcionalmente em relação à taxa do imposto”.

[…]

Gaspar conclui que, para compensar os picos de dívida que surgem, em média, a cada 30 anos, “o rácio deve diminuir nos anos normais como se fosse um seguro”. O segredo para atingir a carga fiscal ideal é “reduzir a dívida pública aos poucos mas durante muito tempo”. Em 2011, José Sócrates tinha afirmado que, “para pequenos países, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se”.

Leave a Comment

Filed under Austeridade, Desiconomia

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *