Será o Páf irresponsável?

No Mirone (entre outros):

O documento foi entregue a António Costa a minutos de o líder socialista entrar na Presidência da República, onde iria ser recebido por Cavaco Silva. Tem um nome com 20 palavras – ‘Documento facilitador de um compromisso entre a Coligação Portugal à Frente e o Partido Socialista para a governabilidade de Portugal’ – e o conteúdo bate certo no número: “São mais de 20 propostas”, confirma uma fonte da coligação ao Observador. O objetivo, porém, não é fechar a conversa – antes iniciar um diálogo com o PS. No final do documento, aliás, isso fica bem vincado – a coligação fica “disponível” para recolher qualquer outra questão que o PS queira discutir, acrescenta uma outra fonte dos dois partidos.

[…]

A ordem de Passos e Portas foi, assim, não dar pretextos aos socialistas para fecharem portas ao diálogo. “As mais de 20 propostas são retiradas do programa eleitoral do PS”, nomeadamente “das quatro áreas prioritárias” que António Costa fez aprovar na reunião da comissão política do seu partido na terça-feira – e que PSD e CDS vêem agora como “complementares ao programa da coligação”. Que áreas são essas? As seguintes:

  • “O virar de página na política de austeridade e na estratégia de empobrecimento, consagrando um novo modelo de desenvolvimento e uma nova estratégia de consolidação das contas públicas assente no crescimento e no emprego, no aumento do rendimento das famílias e na criação de condições para o investimento das empresas”;
  • “A defesa do Estado Social e dos serviços públicos, na segurança social, na educação e na saúde, para um combate sério à pobreza e às desigualdades”;
  • “Relançar o investimento na Ciência, na Inovação, na Educação, na Formação e na Cultura, devolvendo ao país uma visão de futuro na economia global do século XXI”;
  • “O respeito pelos compromissos europeus e internacionais, para a defesa dos interesses de Portugal e da economia portuguesa na União Europeia, para uma política reforçada de convergência e coesão.”

O programa do PS que era radicalmente perigoso passou a completamente aceitável

 “A única condição é que não deitemos fora todo o esforço dos últimos anos, de repente ficarmos com um défice de 4% ou 5%, a Comissão Europeia a aplicar sanções, os juros a disparar”, disse então o líder do PSD. “Não temos muita margem, qualquer proposta que seja negociada [e que tenha impacto orçamental] terá que ser compensada”, explica agora um dirigente da coligação.

Ah, então como o défice deste ano vai ser um desastre, afinal é mais um conjunto de promessas para mandar ao ar. Siga.

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