Austeridade, qual Austeridade? (versão FMI)

Msn

“Temos uma coisa chamada ‘Hellenic Financial Stability Facility’, uma ramificação do ‘European Financial Stability Facility’, fundo que recebeu 50 mil milhões para recapitalizar a banca grega. Este é dinheiro que os contribuintes gregos pediram emprestado para impulsionar a banca mas, enquanto ministro das Finanças, não me deixaram escolher o CEO e nem sequer podia participar nas relações do fundo com os bancos. O povo grego, que nos elegeu, não tinha assim qualquer controlo sobre como é que este dinheiro foi e é usado”, começa por apontar Varoufakis.

Depois de estudar a lei que criou estes mecanismos, “descobri que só tinha um poder sobre estes, que era o de determinar o salário desta gente. Percebi que os salários destes funcionários eram monstruosos para os padrões gregos. Num país com tanta fome e onde o salário mínimo foi cortado para 520 euros, esta gente ganhava qualquer coisa como 18 mil euros por mês”, revela.

Assim, “decidi exercer o meu único poder e usei uma regra muito simples: se as pensões e os salários caíram em média 40% desde o início da crise então decretei um corte de 40% nos salários destes funcionários. Mesmo assim ficavam com um salário elevadíssimo. Sabe o que aconteceu? Recebi uma carta da troika a dizer que a minha decisão tinha sido anulada pois não estava devidamente justificada. Ou seja, num país onde a troika insiste que as pessoas que vivem com 300 euros por mês devem viver com 100 euros por mês, recusaram o meu exercício de corte de despesas e anularam os meus poderes enquanto ministro para cortar os salários desta gente.”

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