Monthly Archives: Outubro 2016

Nem os gauleses resistem ao capitalismo

A Valónia bem tentou, mas não teve força, vai ser assinado amanhã a entrada provisória do CETA. É como as licenciaturas, até ao fim de semana os políticos trabalham para nos enganar a todos.

Ah… e você, já sabe o que é ou acha o que o seu clube achar? Vá ler, sff. Pode ver as respostas (verdadeiras ou não) ou o silêncio dos deputados que acham que isto é com eles porque tiveram uma cruzinha e a democracia é só isso.

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Filed under Guerra de Classes

Podemos também não apoiar Clinton, se faz favor?

Um texto importantíssimo no Global Research, traduzido no Estátua de Sal. É difícil de resumir, uma vez que o próprio texto já é um resumo de uma progressão de pensamentos. Nalguns pontos penso que o autor vai um pouco para além do racional para a especulação, mas é possível que tenha mais informação que não tenha cabido. Penso que isso não altera o essencial, tenham apenas em atenção a esse ponto.

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O governo invisível [ed:propaganda] nunca foi tão poderoso quanto o é nos dias de hoje, sendo em simultâneo tão pouco percecionado. Na minha carreira como jornalista e cineasta, nunca como hoje alguma vez eu vi a propaganda ser tão persuasiva e tão influente nas nossas vidas, sem que tal seja questionado.

Imagine duas cidades. Ambas estão cercadas pelas forças militares do governo desse país. Ambas as cidades estão ocupadas por fanáticos, que cometem atrocidades terríveis, tal como a decapitação de pessoas. Mas existe uma diferença fundamental.

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Refiro-me, naturalmente, ao cerco atual da cidade de Mosul pelas forças do governo do Iraque, que são apoiadas pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha e ao cerco de Aleppo pelas forças do governo da Síria, apoiadas pela Rússia. Um é o bom; o outro é o ruim.

O que raramente é dito é que ambas as cidades não teriam sido ocupadas por fanáticos e devastadas pela guerra se a Grã-Bretanha e os Estados Unidos não tivessem invadido o Iraque em 2003. Essa operação criminosa foi lançada com base em mentiras semelhantes em tudo à propaganda que agora distorce a nossa compreensão da guerra civil na Síria. Sem essa propaganda estrondosa, apresentada como sendo notícias, o monstruoso ISIS, a Al-Qaida, a al-Nusra e os restantes gangues jihadistas não existiriam, e o povo da Síria não teria que lutar hoje para defender as suas vidas.

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No mesmo ano, logo após a invasão, filmei uma entrevista em Washington com Charles Lewis, um conceituado jornalista americano de investigação. Perguntei-lhe: “O que teria acontecido se os meios de comunicação mais livres do mundo tivessem questionado seriamente o que acabou por se provar não passar de propaganda bruta?”

Ao que ele respondeu que se os jornalistas tivessem feito seu trabalho, “há uma grande probabilidade, enorme mesmo, de que não teria havido guerra no Iraque”.

Foi uma declaração chocante, corroborada por outros jornalistas famosos a quem eu coloquei a mesma pergunta – Dan Rather da CBS, David Rose do Observer e jornalistas e produtores da BBC, que preferiram o anonimato. Isto é, se os jornalistas tivessem feito o seu trabalho, se tivessem questionado e investigado a propaganda ao invés de a amplificar, centenas de milhares de homens, mulheres e crianças estariam vivas ainda hoje, e não haveria ISIS nem cerco a Aleppo ou a Mossul. Não teria havido nenhum atentado no metro de Londres em 7 de julho de 2005. Não teria havido nenhum exodo de milhões de refugiados; não existiriam acampamentos miseráveis incapazes de os receber.

Quando o atentado terrorista aconteceu em Paris em novembro passado, o presidente François Hollande enviou imediatamente aviões para bombardear a Síria – e mais terrorismo se seguiu, provavelemente, consequência das frases bombásticas de Hollande, a França está “em guerra”, e “não mostrará nenhuma clemência”. Que a violência estatal e a violência jihadista se alimentam uma da outra é uma verdade que nenhum líder nacional tem a coragem de dizer.

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A partir desse momento, a CIA planeou destruir o governo da Síria recorrendo a fanáticos jihadistas – os mesmos fanáticos que actualmente controlam a cidade de Mossul e a zona oriental de Aleppo. Porque é que isto não é notícia? O ex-funcionário da chancelaria britânica Carne Ross, que era responsável pela imposição de sanções ao Iraque, disse-me em tempos: “Nós alimentamos os jornalistas com factos triviais de higienizada inteligência, ou congelamo-los. É assim que funciona.”

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A propaganda é mais eficaz quando a nossa aquiescência é construída por aqueles que são portadores de uma boa educação – Oxford, Cambridge, Harvard, Columbia – e com carreiras na BBC, no Guardian, no New York Times, no Washington Post. Estes organismos são conhecidos como os media liberais. Eles apresentam-se como tribunas iluminadas, progressistas do zeitgeist moral. Eles são anti-racistas, pró-feministas e pró-LGBT.

E eles amam a guerra.

Enquanto falam para o feminismo, eles apoiam as guerras de rapina que negam os direitos das inúmeras mulheres, incluindo o direito à vida.

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A mistificação da verdade sobre a Ucrânia é um dos apagões de noticiosos mais completos de que há memória. Os fascistas que projetaram o golpe em Kiev são a mesma raça que apoiou a invasão nazi da União Soviética em 1941. De todos os alarmes sobre a ascensão do fascismo, do antissemitismo na Europa, não há nenhum líder ocidental que mencione os fascistas na Ucrânia – exceto Vladimir Putin, mas ele não conta.

Muito se tem trabalhado arduamente nos media ocidentais para apresentar a população étnica de língua russa da Ucrânia como estrangeiros no seu próprio país, como agentes de Moscovo, quase nunca como ucranianos que procuram uma federação dentro Ucrânia e como cidadãos ucranianos a resistir a um golpe orquestrado por estrangeiros contra o governo eleito do seu país.

Há quase como que um joie d’esprit de uma reunião de turma de belicistas. Os tocadores de tambores que incitam no Washington Post à guerra com a Rússia são os mesmos editorialistas que publicaram a mentira monumental que propalava que Saddam Hussein tinha armas de destruição maciça.

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Filed under Hipocrisias, Mérdia, Psicopatia

Quando tudo o que se discorda é populismo

Via Ladrões de Bicicletas

Resumindo: no editorial de hoje do Público, assinado por Diogo Queiroz de Andrade, a decisão de Juncker foi má porque a pôs à consideração dos representantes dos povos locais. Foi má porque ficou preso de decisões “populistas” (entenda-se, de acordo com a vontade dos povos). Foi má porque criou um precedente que porá de lado o TTIP. Foi má porque, ao fazer valer a decisão dos povos, a União Europeia deixa de ser um “parceiro credível”…  Então perderam-se tantos meses a negociar – diga-se: sem dar cavaco a ninguém! – e agora só porque os povos não querem, perde-se tudo…?

Esta gentinha devia pensar no que significa desprezar a opinião dos cidadãos e impor o que lhes apetece. Se calhar preferiam um regime como o Chinês ou o Norte-Coreano, lá não há “populismo”.

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Filed under Desunião Europeia, Guerra de Classes, Mérdia

A desigualdade explicada às criancinhas

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Filed under Guerra de Classes, Negócios à Portuguesa

Onde andam estes camaradas?

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Filed under Hipocrisias, Mérdia