Monthly Archives: Agosto 2015

Lá está o FMI a contrariar o governo

Público

A devolução no ano que vem de parte da sobretaxa de IRS relativa a 2015 e a eliminação futura deste imposto prometida tanto pelo Governo como pelo Partido Socialista são colocadas em causa na mais recente avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal.

No segundo relatório de monitorização pós-programa a Portugal publicado esta quinta-feira, o FMI volta a coloca diversas dúvidas sobre a forma como estão a evoluir as receitas fiscais em Portugal e sobre a concretização das metas orçamentais definidas pelo Governo. Repetindo críticas do passado, a entidade liderada por Christine Lagarde diz que as projecções para a cobrança de impostos parecem ser demasiado optimistas e avisa, em particular, que o actual ritmo de crescimento do IVA pode não se prolongar para o resto do ano.

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Isto é: a receita líquida do IVA está tão mais alta do que no ano passado, porque os reembolsos que são feitos estão muito mais baixos (mais de 10%). Um efeito que o Fundo prevê que se possa diluir no resto do ano. “O pagamento dos reembolsos do IVA começou a recuperar no segundo trimestre e espera-se que acelerem ainda mais durante o resto do ano”, diz o relatório, uma ideia que contraria aquilo que tem sido argumentado pelo Governo esta semana.

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Este pedido de cautela surge porque o FMI continua a apontar para uma previsão do défice de 3,2% este ano, contrariando o valor abaixo de 3% prometido pelo Governo, e avisa que as projecções orçamentais do Governo não são justificadas por medidas “concretas” e “credíveis”.

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Para além do défice, o Fundo volta também a revelar as suas dúvidas em relação à sustentabilidade da retoma em Portugal. O FMI assinala que a economia está neste momento a beneficiar de factores conjunturais como a política monetária muito expansiva do BCE, a depreciação do euro e a descida do preço do petróleo, para além do elevado ritmo de crescimento (maior do que o de Portugal) do principal parceiro comercial, a Espanha.

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O bom exemplo Alemão

Jornal de Negócios

Quando os investidores enfrentam dificuldades procuram tipicamente um mercado seguro para o seu dinheiro, e a sólida economia alemã “beneficiou desproporcionalmente” desse facto durante a crise da dívida na Grécia, lê-se no estudo, acrescentando que as poupanças “excedem os custos da crise, mesmo se a Grécia não pagasse todas as suas dívidas”.
“Nos anos recentes, cada vez que os mercados financeiros souberam de notícias negativas sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram, e cada vez que as notícias foram boas, estas subiram”, defende o documento.
O Instituto de Investigação Económica Leibniz defende que o equilíbrio orçamental alemão só foi possível graças às poupanças em taxas de juro por causa da crise de dívida grega.
Os estimados 100 mil milhões de euros que a Alemanha poupou desde 2010 constituíram cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Outros países como os Estados Unidos, a França e a Holanda também beneficiaram, mas “a um nível muito mais reduzido”.
O dinheiro investido pela Alemanha em pacotes de resgate internacionais chegou a cerca de 90 mil milhões de euros.
Mas segundo o instituto alemão, “mesmo que a Grécia não devolva nem um cêntimo, a bolsa pública alemã beneficiou financeiramente da crise”.
É esta a moeda única que temos, e quem ainda não percebeu que assim não dá não sei que mais lhe diga. Ide estudar.

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Portugal Está Melhor ™ VIII

Esquerda.net

De acordo com os dados do Ministério da Justiça, as dívidas até 500 euros aumentaram 54% entre 2013 e 2014, sendo que a maioria diz respeito a fornecimento de bens e serviços. Dívidas com água, luz e gás cresceram 10% neste período.
Em 2014, deram entrada no Balcão Nacional de Injunções 206 980 dívidas, face às 185 024 registadas em 2013. As dívidas de montante inferior a 500 euros foram as que mais contribuíram para este aumento.

No ano passado, foram comprovadas no BNI 62 164 dívidas de valor inferior a 500 euros, mais 21 765 do que em 2013, o que representa um crescimento de 54%. A maioria destas dívidas diz respeito a fornecimento de bens e serviços. Dívidas com água, luz e gás cresceram 10% neste período.

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Depois do FMI, eis o ex-conselheiro de Barroso a fazer campanha contra o PaF

O economista britânico Philippe Legrain ao DN

Teve uma troca acesa de opiniões no Twitter com Bruno Maçães sobre a situação portuguesa. Acredita que o secretário de Estado está a tentar “dourar a pílula” da situação portuguesa?

Com eleições à porta, o governo está a defender o seu terrível recorde – inclusive recorrendo à propaganda de que Portugal “deixou os seus problemas para trás”, como Maçães escreveu. É propaganda e é um absurdo.

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Polémicas à parte: que análise faz da atual situação económica e financeira portuguesa?

A economia portuguesa está a beneficiar de fatores externos positivos.[…] Internamente, a extrema austeridade de 2011-12 foi aliviada: o aperto fiscal é muito menor neste ano. [ed: Que se lixem as eleições? Pois…] Como resultado a economia está a crescer outra vez, lentamente. Mas Portugal ainda está num buraco fundo. A economia está ainda 7,5% mais pequena do que no seu pico no início de 2008 – na verdade está mais pequena do que em 2002 – e ao nível atual de crescimento de 1,5% não vai voltar aos níveis de 2008 antes de 2020: mais de uma década perdida. As dívidas globais – das famílias e das empresas – são insuportavelmente grandes. Os bancos ainda estão numa confusão, com o escândalo do BES à cabeça. Os salários caíram. A pobreza aumentou. O desemprego continua altíssimo. Muitos portugueses emigraram. Ajustando para a população ativa que não tem trabalho e o subemprego, o FMI calcula uma redução do mercado de trabalho de 20%. O FMI também diz que as reformas portuguesas foram inadequadas e que ainda têm de produzir benefícios. Portugal é um país europeu relativamente pobre. Devia estar a aproximar-se dos mais ricos através de mais investimento e aumentando a produtividade. Em vez disso, está a posicionar-se para ser ultrapassado pela Polónia e outros. É trágico.

Pelo que diz, o programa de assistência a Portugal foi malsucedido. Quem foi o responsável: o governo ou a troika?

O programa falhado foi projetado pela troika dentro das limitações políticas definidas pela Alemanha. E foi entusiasticamente implementado pelo governo português, que tentou ser “mais alemão do que os alemães”. Mas as consequências foram desastrosas: uma longa e desnecessária depressão da qual o país ainda não recuperou e que perversamente causou uma dívida pública tão alta que ultrapassa o produto interno bruto.

[…]Que modelo deve a Europa seguir para ultrapassar esta crise? Ou pegando no seu livro: como pode haver a tal “Primavera Europeia”?

A Europa precisa de uma Primavera Europeia de renovação económica e política. Precisamos de resolver de uma vez por todas a crise de forma decisiva e justa, reduzindo as dívidas insuportáveis, tanto privada como pública, limpando os bancos, e aumentado o investimento, com a Alemanha a desempenhar o seu papel na dinamização da procura interna. Precisamos de reformas para tornar as nossas economias mais dinâmicas, focando-se no aumento da produtividade e, consequentemente, nos padrões de vida, e não de cortar salários numa demanda germânica da “competitividade”. E precisamos de políticas muito mais abertas e honestas que antecipem o interesse público em vez dos interesses particulares (em particular o setor financeiro) e que permitam às pessoas legitimar escolhas democráticas sobre questões cruciais como a tributação e a despesa.

No livro escreve que a Europa está uma confusão. Quem são os responsáveis?

A narrativa alemã de que a crise é culpa de toda a Europa do Sul é falsa. A Europa está numa confusão por muitas razões. Empréstimos excessivos feitos por um setor financeiro mal regulado a mutuários insensatos. As políticas mercantilistas da Alemanha – baixar salários para subsidiar as exportações e acumular enormes superavits externos – que alimentaram maus empréstimos dos bancos alemães nos anos pré–crise e que agora exportam deflação. O poder dos interesses instalados em todos os países que reprimem as oportunidades e roubam o valor criado por outros. Decisões políticas catastróficas tomadas pelos decisores da zona euro, especialmente Angela Merkel.

O euro está condenado ao fracasso ou ainda se pode salvar?

Economicamente, a zona euro é um inteiro desastre. A economia está 1,5% mais pequena do que o seu pico de há sete anos; no mesmo período, os EUA, que também tiveram uma grande bolha seguida de uma crise financeira, cresceram quase 10%. Desde que o euro começou a falhar, como até Mario Draghi admite, está a ser mantido por políticas de estímulo: a crença de que o futuro do projeto europeu está dependente delas, o interesse próprio de credores poderosos de cada país e o medo das consequências de uma separação desordenada. Mas, a menos que a zona euro comece a produzir padrões de vida mais elevados para todos de uma maneira que respeite as democracias nacionais – sugeri que precisávamos de uma zona euro mais flexível para conseguirmos isso -, este casamento infeliz vai acabar eventualmente em acrimónia.

[…]

No seu entender, a comissão Barroso fracassou em todas as intervenções que teve na crise europeia?

As autoridades da zona euro em geral falharam miseravelmente aos europeus.

 

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O PS não é solução.

A juntar ao TO e ao TiSA…

Ladrões de Bicicletas

Tivemos direito a ouvir a acusação de que a PaF defende a privatização das pensões, retirando receitas ao sistema para estimular o mercado dos fundos privados. Diga-se desde já que a reforma de 2007, de que o PS tanto se orgulha, foi muito elogiada pelas instituições internacionais porque, além de introduzir uma fórmula de cálculo que reduz substancialmente o nível de vida da população idosa, introduziu a capitalização pública e promoveu a privada.

Por conseguinte, é preciso lembrar que foi num governo do PS que o contrato social de solidariedade entre gerações – quem trabalha desconta para quem não pode trabalhar – recebeu a primeira marca de forte abertura à privatização. Hoje sabemos que essa tão louvada reforma não conferiu maior sustentabilidade ao sistema de pensões. Desde então, o PS absorveu a propaganda do envelhecimento demográfico para justificar a reforma, até porque o seu europeísmo o obrigava a ignorar a verdadeira ameaça ao sistema, o crescimento anémico da economia com desemprego crescente, fruto da nossa participação na zona euro.

[…]

Porque será que a mais danosa proposta da PaF sobre o sistema de pensões, “A criação de uma “Caderneta de Aforro para a Reforma”, que reflita todos os movimentos registados na Conta Individual do beneficiário”, na mesma p. 37 em que se refere o “plafonamento”, foi até agora silenciada? Até hoje, nenhum porta-voz do PS se indignou contra esta proposta de reforma estrutural do sistema de pensões que, de facto, representa o fim do modelo de solidariedade entre gerações que sustenta a democracia portuguesa. Repare-se, a coligação PaF propõe o desmantelamento do sistema público de repartição solidária, e a sua substituição por um sistema individualista (cada um com a sua Conta Individual).

[…]

Após as eleições de Outubro, num contexto de maioria relativa e fortíssima pressão da UE para um acordo à direita, este é certamente um dos assuntos em que será exigido consenso. O programa da PaF já refere a necessidade do consenso. O actual silêncio do PS é sintoma de abertura. Sem discussão pública, em estado de necessidade, se nada fizermos o que nos espera é um golpe de Estado nas pensões.

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A verdadeira fraude laboral

É, como sempre, a UGT, sempre disposta a dizer que sim a tudo (RTP)

Questionado sobre se há aproveitamento político dos números do desemprego, Carlos Silva realçou que “a UGT não entra no processo partidário” e que “não vale a pena esgrimir os números oficiais”.

[…]

“Nós temos que dizer bem daquilo que há que dizer bem. Quando piorar, nós cá estaremos para malhar no Governo e em quem quer que seja que esteja no poder”, declarou Carlos Silva.

Eu não me lembro de alguma vez a UGT ter malhado em algum governo…

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Austeridade, qual Austeridade? (versão FMI)

Msn

“Temos uma coisa chamada ‘Hellenic Financial Stability Facility’, uma ramificação do ‘European Financial Stability Facility’, fundo que recebeu 50 mil milhões para recapitalizar a banca grega. Este é dinheiro que os contribuintes gregos pediram emprestado para impulsionar a banca mas, enquanto ministro das Finanças, não me deixaram escolher o CEO e nem sequer podia participar nas relações do fundo com os bancos. O povo grego, que nos elegeu, não tinha assim qualquer controlo sobre como é que este dinheiro foi e é usado”, começa por apontar Varoufakis.

Depois de estudar a lei que criou estes mecanismos, “descobri que só tinha um poder sobre estes, que era o de determinar o salário desta gente. Percebi que os salários destes funcionários eram monstruosos para os padrões gregos. Num país com tanta fome e onde o salário mínimo foi cortado para 520 euros, esta gente ganhava qualquer coisa como 18 mil euros por mês”, revela.

Assim, “decidi exercer o meu único poder e usei uma regra muito simples: se as pensões e os salários caíram em média 40% desde o início da crise então decretei um corte de 40% nos salários destes funcionários. Mesmo assim ficavam com um salário elevadíssimo. Sabe o que aconteceu? Recebi uma carta da troika a dizer que a minha decisão tinha sido anulada pois não estava devidamente justificada. Ou seja, num país onde a troika insiste que as pessoas que vivem com 300 euros por mês devem viver com 100 euros por mês, recusaram o meu exercício de corte de despesas e anularam os meus poderes enquanto ministro para cortar os salários desta gente.”

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Roubado ao Der Terrorist

Update:

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Você ainda vota nesta gente? II

Esquerda.net

João Almeida, na qualidade de deputado do CDS, no programa “Prós e Contras” de 23 de outubro 2013, culpou os eleitores pelo facto dos partidos que ganham eleições mentirem durante a campanha eleitoral.

Na opinião do agora primeiro candidato do CDS na coligação “Portugal à Frente” pelo círculo eleitoral de Aveiro, se os partidos dissessem a verdade aos eleitores, e afirmassem que iriam cortar salários e pensões de reforma, aumentar os impostos perderiam as eleições.

Assim sendo, concluiu o seu raciocínio dizendo “os eleitores obrigam-nos a mentir”.

Dois meses após a sua notada presença no programa da RTP 1, foi nomeado secretário de Estado da Administração Interna.

Em 2011, João Almeida, foi eleito pelo distrito do Porto, agora, foi escolhido por Paulo Portas para ser o primeiro nome do CDS a figurar na lista da coligação de direita.

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A verdade sobre a liberdade de escolha

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