Category Archives: “Liberais” a funcionar

Lembre-se sempre

Não há dinheiro.

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O CETA vai nu

Ana Moreno no Aventar trás-nos o parecer da Comissão de Emprego e de Assuntos Sociais sobre o CETA:

O resultado final marcante do CETA tem de ser a criação de emprego digno, o aumento equilibrado dos salários e possibilidades alargadas para o empreendedorismo. No entanto, no que diz respeito à criação de emprego digno, dados empíricos com base em modelos do mundo real apontam, na melhor das hipóteses, para um aumento global marginal do emprego na União não superior a 0,018% ao longo de um período de execução de 6 a 10 anos. Além disso, estudos recentes que usaram esses modelos prevêem perdas de emprego reais de 204 000 postos em toda a UE, incluindo 45 000 na França, 42 000 na Itália e 19 000 na Alemanha.

Além disso, a Avaliação do Impacto na Sustentabilidade de 2011 revela deslocações setoriais significativas, que poderão conduzir ao aumento do desemprego de longa duração.

Quanto aos salários, está provado que o acordo contribuiria para alargar o fosso entre os trabalhadores qualificados e não qualificados, aumentando assim as desigualdades e tensões sociais. Além disso, prevêem-se consideráveis efeitos de redistribuição do rendimento nacional, representando na UE um aumento de 0,66% em favor dos detentores do capital social, pelo que aprofundam as deslocações sociais.

O acordo não contém nenhum capítulo com medidas específicas de apoio às PME. Existem atualmente 20,9 milhões de PME da UE (93% com menos de 10 trabalhadores) mas apenas 619 000 exportam para fora da UE. No quadro liberalizado criado pelo CETA, essas PME serão expostas ao impacto pleno da concorrência das grandes empresas transnacionais da América do Norte, pondo assim em risco os 90 milhões de postos de trabalho (67% do emprego total) que elas asseguram.

Embora o CETA contenha um capítulo especial sobre comércio e trabalho, há uma clara disparidade entre o nível de proteção dos investidores e o dos interesses e direitos laborais. O estatuto privilegiado concedido aos investidores no sistema judicial em matéria de investimento (ICS) contrasta vivamente com o mecanismo de consultas previsto para proteger os interesses e direitos laborais.

Estão comprovados os efeitos de desvio do comércio para longe do comércio com os países em desenvolvimento – neste caso, predominantemente africanos – ao facilitar o comércio Norte-Norte. Isto é especialmente prejudicial, tendo em conta a necessidade de promover a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030, por ser esta a única via para superar o aprofundamento das desigualdades entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento e para enfrentar rapidamente as pressões migratórias crescentes.

Há sérias dúvidas sobre a compatibilidade da cláusula do ICS com a legislação da UE em vigor e com o princípio da aplicação provisória.

Vê-se obrigada, por isso, a solicitar à Comissão do Comércio Internacional que se abstenha de aprovar o acordo.

A Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais insta a Comissão do Comércio Internacional, competente quanto à matéria de fundo, a recomendar ao Parlamento que não dê a sua aprovação à proposta de decisão do Conselho relativa à celebração do Acordo Económico e Comercial Global (CETA) entre o Canadá, por um lado, e a União Europeia e os seus Estados-Membros, por outro.

 

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O assassinato da Europa

F. William Engdhl, In GlobalResearch, 12/11/2016, Tradução por Estátua de Sal)

O hesitante projeto dos EUA, conhecido como Trans-Pacific Trade Partnership ou Trans-Atlantic Trade and Investment Partnership, é pouco mais do que Mussolini em esteróides. As centenas de corporações mais poderosas ficarão formalmente acima da lei nacional se formos estúpidos o suficiente para eleger políticos corruptos que aprovem tal disparate. No entanto, poucos analisaram com rigor o efeito que está a ter a cedência da soberania monetária sob o regime do Euro.

[…]

Delors derrubou o princípio estabelecido pelo francês Charles de Gaulle, princípio que De Gaulle designava por “Europa das Pátrias”. A visão de De Gaulle da Comunidade Económica Européia – então seis nações, incluindo a França, a Alemanha, a Itália e o Benelux – era que haveria reuniões periódicas dos primeiros-ministros das seis nações do Mercado Comum. Nessas reuniões, entre chefes de Estado eleitos, as políticas seriam formuladas e as decisões tomadas. Uma assembleia eleita por membros de parlamentos nacionais reveria as ações dos ministros. De Gaulle considerava a burocracia de Bruxelas como um órgão administrativo puramente técnico, subordinado aos governos nacionais. A cooperação devia basear-se na “realidade” da soberania do Estado. A aquisição supranacional de poder sobre nações individuais da CEE era anátema para De Gaulle, e com razão. Se o é para os indivíduos, assim também o é para as nações – a autonomia é básica e as fronteiras importam.

O Ato Único de Delors pretendeu derrubar a Europa das Pátrias através de reformas radicais na CEE com base na ideia destrutiva de que as diversas nações, com diversas histórias, culturas e diversas línguas, poderiam eliminar fronteiras e tornar-se uma espécie de ersatz, Estados Unidos da Europa, conduzidos do topo por burocratas não eleitos em Bruxelas. Trata-se essencialmente de uma visão corporativista, ou fascista do estilo Mussolini, de uma burocracia europeia não-democrática e não responsável que controla as populações arbitrariamente, respondendo apenas à influência corporativa, à pressão, à corrupção.

Foi uma agenda desenvolvida pelas maiores multinacionais da Europa, cuja organização de lobby era o European Roundtable of Industrialists (ERT), o influente grupo de lobby das grandes multinacionais europeias (onde se entra apenas por convite pessoal), como a suíça Nestle, a Royal Dutch Shell, BP, Vodafone, BASF, Deutsche Telekom, ThyssenKrupp, Siemens e outras gigantes multinacionais européias. O ERT, sem surpresa, é o principal lobby que em Bruxelas promove a assinatura do tratado comercial, TTIP, com Washington.

[…]

O tratado de criação de uma união monetária foi assinado numa conferência da CEE de 1992 em Maastricht, na Holanda, após a unificação da Alemanha. A França e a Itália, apoiadas pela Grã-Bretanha de Margaret Thatcher, forçaram a sua assinatura, ultrapassando as dúvidas alemãs, para “conter o poder de uma Alemanha unificada”. A imprensa britânica conservadora censurava a Alemanha por ser um potencial “Quarto Reich” emergente conquistando a Europa economicamente, ainda que não militarmente. Ironicamente, isso é o que, de facto, emergiu das estruturas do Euro hoje. Devido ao Euro, a Alemanha domina economicamente os 19 países da zona do Euro.

[…]

Os burocratas da UE têm um nome bonito para este desfasamento entre os funcionários não eleitos do BCE que controlam o destino económico dos 19 estados membros com 340 milhões de cidadãos da chamada Zona Euro. Designam-no por “déficit democrático”. Esse déficit cresceu de forma gigantesca desde a crise financeira e bancária global de 2008 e aumento de importância do não-soberano Banco Central Europeu.

[…]

A criação da moeda única em 1992 colocou os Estados-Membros do Euro numa camisa-de-forças económica. O valor da moeda não pode ser alterado para impulsionar as exportações nacionais durante os períodos de recessão económica como os registados desde 2008. O resultado foi que a maior potência industrial da Zona Euro, a Alemanha, beneficiou do Euro estável, enquanto as economias mais fracas na periferia da UE, e até mesmo a França, suportaram conseqüências catastróficas devido à rigidez da taxa de câmbio do Euro.

[…]

Actualmente, de acordo com o Eurostat, a indústria representa 14,1% do valor acrescentado bruto total francês. Em 1995, era de 19,2%. Na Alemanha é de 25,9%. O mais impressionante foi o colapso da indústria automobilística francesa, outrora vibrante. Apesar de a produção mundial de automóveis ter quase duplicado de 1997 para 2015 de 53 milhões para 90 milhões de veículos por ano, enquanto a Alemanha aumentou a sua produção automóvel em 20% de 5 para 6 milhões, desde a entrada da França no Euro em 2002, a produção automóvel francesa caíu quase metade, de quase 4 milhões para menos de 2 milhões.

[…]

O bail-in, apesar de parecer melhor do que resgate pago pelos contribuintes, na verdade, exige que os depositantes de um banco sejam expoliados dos seus depósitos para “resgatar” um banco falido, se Bruxelas ou o não eleito Eurogrupo determinarem tal apropriação dos depósitos, a qual é necessária se os detentores de acções e obrigações do banco e outros credores não foram capazes de fazer face às perdas. Este confisco foi aplicado nos bancos do Chipre em 2013 pela UE. Os depositantes com mais de € 100.000 perderam 40% de seu dinheiro.

Se você é um depositante, digamos, do Deutsche Bank, estando em queda as ações deste, como têm estado, além dos problemas legais que ameaçam a sua existência, recusando-se o governo alemão a ouvir falar de resgate e deixando o banco numa situação de bail-in potencial, você pode ter certeza que cada depositante com uma conta acima de € 100.000 vai levantar o seu dinheiro e transferi-lo para outros bancos, agravando a crise do Deutsche Bank. Em consequência, todos os restantes depositantes ficam vulneráveis a um bail-in como o que foi aplicado pelo Eurogrupo aos bancos do Chipre.

[…]

Em 1992, quando os bancos suecos entraram em insolvência devido a uma bolha do imobiliário que rebentou, o Estado entrou em cena criando o Securum, um banco de resgate mau/bom. Os bancos falidos foram temporariamente nacionalizados. Empréstimos imobiliários tóxicos no valor de milhares de milhões foram colocados na empresa estatal, Securum, o banco dito mau. Os diretores dos bancos viciados em aplicações financeiras de alto risco foram demitidos. Os bancos nacionalizados, sem o fardo dos empréstimos ruins, foram autorizados, sob administração estatal, a retomar os empréstimos e regressaram aos lucros antes de serem reprivatizados à medida que a economia melhorava. O imobiliário improdutivo tornou-se novamente rentável à medida que economia foi recuperando ao longo de vários anos, e após cinco anos, o Estado pôde vender os ativos obtendo um lucro líquido e desativando a Securum. Os contribuintes não foram sobrecarregados.

[…]

A Zona Euro não tem autoridade orçamental central, pelo que essas soluções não podem ser implementadas. Os problemas do sistema bancário estão apenas a ser resolvidos pelas autoridades monetárias, através da política insana do BCE de taxas de juro negativas, o chamado Quantitative Easing, em que o BCE compra milhares de milhões de euros de dívida corporativa e de dívida desonesta sem fim à vista e, em consequência das baixas taxas de juro, tornando as seguradoras e os fundos de pensões insolventes.

A resposta não é certamente a que propôs o cleptocrático George Soros e outros, ou seja, dar ao super-estado não eleito de Bruxelas o poder fiscal central para emitir Eurobonds. A única solução possível, longe de destruir as economias de toda a Zona Euro na próxima crise de solvência bancária europeia, é desmantelar o Monstro Frankenstein chamado União Monetária Europeia com o seu BCE e a moeda comum.

O conjunto dos países da Zona do Euro a 19 não formam aquilo que os economistas chamam “zona monetária ótima”, nunca o foi. Os problemas económicos da Grécia, da Itália ou mesmo da França são muito diferentes dos da Alemanha, de Portugal ou da Espanha.

[…]

E sobre isso, só posso dizer que ele estava certo. E hoje, a asserção ainda é mais verdadeira. O Euro e o Banco Central Europeu estão a assassinar a Europa tão eficazmente como a Segunda Guerra Mundial, sem bombas e sem escombros.

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Os 7 “melhores” eufemismos dos tratados de livre comércio

Esquerda.net:

Depois das divulgações da Greenpeace e do seu impacto social e mediático, as instituições europeias e os meios de comunicação liberais viram-se obrigados a explicar em que consistem essas coisas raras chamadas TTIP1 ou CETA2. Para isso utilizam uma grande variedade de eufemismos positivistas que nos fazem “entender” as bondades do maravilhoso livre comércio e outros negativos que nos mostram quais são as ‘barreiras’ que há que derrubar.

Harmonização

Como se se tratasse de procurar a sintonia perfeita entre os regulamentos europeus e norte-americanos, a palavra ‘harmonização’ é usada pelos pró-TTIP para se referirem ao processo pelo qual as diferentes legislações, normativas e controles são igualados para que não haja diferenças entre as duas partes. O que não costumam explicar é que as grandes multinacionais e lóbis que têm regulamentos mais permissivos no seu país não têm a intenção de deixar que aumentem esses controles, pelo que fica claro – e ainda mais vendo outros tratados assinados anteriormente – que esta harmonização é um bonito eufemismo para se referirem a “nivelar por baixo”.

Barreiras não alfandegárias

Como se de um summum de eufemismos negativos se tratasse, este conceito combina três palavras que já por sim têm conotação negativa. Esta técnica é usada para que o recetor entenda que do que se está a falar é de algo muito mau e que se tem que eliminar. Mas o que se esconde por detrás das “barreiras não alfandegárias” são legislações como a que proíbe o uso de substâncias que não se tenha provado não serem cancerígenas, as denominações de origem ou os controles fitossanitários. Para um comércio totalmente aberto, tudo o que seja uma “barreira” para as mercadorias é algo mau que deve ser eliminado, incluindo a nossa saúde.

Normas protecionistas

Às “barreiras não alfandegárias” também se lhes pode chamar normas protecionistas. Utilizar o termo ‘proteccionista’ com conotações negativas tem sido repetido e normalizado pelo neoliberalismo. Para os defensores do livre comércio, os governos não devem “proteger” os seus mercados, as suas empresas, a sua natureza nem a sua população, porque o “proteger” está contra o sagrado livre comércio.

Burocracia fronteiriça

A palavra ‘burocracia’ sempre carregou a conotação de papelada desnecessária e obstáculos a algo que deveria ser simples. Os defensores do livre comércio utilizam este termo para falar dos controles fronteiriços que as mercadorias precisam passar, para evitar, por exemplo, que frangos banhados em cloro cheguem às nossas mesas. É bastante incrível que na União Europeia ou nos Estados Unidos, onde para poder entrar ou residir, se fores imigrante, precisas de passar por bastante mais do que intermináveis trâmites burocráticos, insistam em eliminar essa outra “burocracia fronteiriça”.

Tribunais arbitrais independentes privados

Toma lá! Superamos-nos com um eufemismo de quatro palavras. Os tribunais privados incluídos nos tratados de livre comércio decidem sobre os litígios entre empresas e governos. Este conceito, mais do que um eufemismo, pode considerar-se um oxímoro, já que dizer que algo privado, que tem que mediar entre governos e empresas, é ‘independente’ custa a crer.

Cooperação reguladora

Como costuma ser normal no uso dos eufemismos, aqueles que os usam apoderam-se de palavras tão positivas como ‘cooperação’ para esconder que por detrás desta ‘regulação’ só se encontra a cooperação entre multinacionais e funcionários da Comissão Europeia que nunca foram votados. O “conselho de cooperação reguladora” destes tratados pretende que estes atores são os que podem “cooperar” para modificar as leis à medida que lhes vá fazendo falta.

Produtos de tecnologia agrícola moderna

Eis os transgénicos. Apesar da maioria dos peritos reconhecer que a fome no mundo é um problema de distribuição e não de escassez, a indústria agroalimentar dos Estados Unidos esforça-se para que os padrões de segurança se nivelem por baixo para poder inundar o mercado europeu de alimentos, sementes, herbicidas, etc., com a sua correspondente patente. As dificuldades da chegada do milho e da soja transgénicos, não autorizados na Europa, representaram um duro golpe para as exportações norte-americanas, pelo que não descartamos novos eufemismos modificados ideologicamente.
Artigo publicado em El Samón Contracorriente. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

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A verdadeira máfia

O J Manuel Monteiro chama à atenção no Aventar

Agora, com os novos terminais de pagamento multibanco, antes de inserir o código passou a ser preciso escolher a rede de pagamento, se VISA (ou outra internacional), se MULTIBANCO. Por omissão, e aqui está o detalhe, a rede é a VISA (ou outra internacional). Para mudar, sabendo-se que se pode mudar, o que não é óbvio para quem está habituado ao verde – código – verde, é preciso carregar numa tecla de cursor e, só depois, é que começa a sequência verde – código – verde. Portanto, quem fizer como sempre, estará a pagar via rede VISA (ou outra internacional). Se bem que para quem paga não deverá haver diferença, já para o comerciante significará uma comissão bancária bem superior.

Se esta mudança tivesse sido desenhada para ter impacto nulo, então a opção pré-seleccionada seria o pagamento a rede MULTIBANCO. Como não é o caso, há a suspeita de se estar perante um truque para cobrar mais dinheiro aos comerciantes.

Que faz a SIBS? Atira a culpa para a União Europeia, pois claro. Tudo o que é mau vem da união europeia, pois claro. Excepto a parte da escolha da opção por defeito, essa é toda da máfia do costume.

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Sobre a liberdade de escolha

Paulo Baldaia, via Ladrões de Bicicletas (não sei do original)

1. Não existe liberdade de escolha. Mesmo os pais que colocam os filhos em escolas privadas, com contratos de associação, não estão a escolher, estão a colocar os filhos onde o Estado lhes arranjou vaga.
2. Quando o financiamento a esses pais é feito, havendo escola pública nas proximidades, o que o Estado está a fazer é a financiar uma empresa privada, desvirtuando a concorrência com as restantes escolas privadas.
3. A liberdade de escolha, garantida pelo cheque-ensino, resulta sempre num desinvestimento na escola pública.
4. Com menos alunos na escola pública, o custo por aluno tende a aumentar para manter a mesma qualidade, sendo muito provável que haja uma deterioração da escola pública.
5. Num cenário de livre escolha, com um aumento da procura, as escolas privadas aumentam substancialmente os seus preços, fazendo com que apenas as famílias de maior rendimento possam pagar a diferença entre o cheque do Estado e a exigência da empresa privada. Os mais desfavorecidos ficam de fora.
6. A liberdade de escolha com o Estado a pagar é uma questão ideológica, defendida com mais convicção pelos que acreditam que o pagamento de impostos deve ser feito, apenas, de acordo com o retorno dos serviços que o Estado presta. Essas pessoas não acreditam nas virtudes de uma cobrança progressiva (pagam mais os que ganham mais), nem na distribuição da riqueza como forma de tornar mais justa a sociedade de que todos fazemos parte.

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O Santana explica

Santana Castilho, via Aventar

Existem problemas bem mais graves que aquele que ocupa a actualidade política há quase um mês: porque o Governo decidiu (e bem) não continuar a financiar alunos de colégios privados que operem em zonas onde existam vagas em escolas públicas, criou-se um alarme social que já mereceu referências (particularmente significativas e nada inocentes) do Cardeal Patriarca e do Presidente da República.

Toda a polémica respeita a 3% (79 escolas, para ser exacto) de toda a rede de ensino privado, composta por 2.628 escolas. Mas rápida e maliciosamente foi apresentada como um ataque a todo o ensino privado. Estas 79 escolas propalaram a probabilidade falsa de virem a ser despedidos cerca de quatro mil professores, quando esse número representa a totalidade do seu corpo docente e o Estado já garantiu, reiteradamente, que nenhum aluno, de nenhum ciclo de estudos em curso, deixará de ser financiado.

Sendo certo que os contratos de associação sempre foram instrumentos sujeitos à verificação da necessidade de recorrer a privados para assegurar o ensino obrigatório, é igualmente certo e óbvio que sempre foram marcados pela possibilidade de cessarem, logo que desaparecesse a necessidade. Porquê, então, tanta agitação, apesar do senso comum apoiar a decisão e a Constituição e a Lei de Bases do Sistema Educativo a protegerem? Porque o corte futuro de cada turma significa 80.500 euros a abater ao apetecível bolo anual de 139 milhões; porque, a curto prazo, ficarão inviáveis os colégios que vivem, em exclusivo, da renda do Estado e dos benefícios fiscais decorrentes do estatuto de utilidade pública; porque, dor maior, muitos desses colégios têm projectos educativos de índole confessional católica.

De resto, o anterior minstério também o sabia

https://www.youtube.com/watch?v=2TK2y2U_fK8&feature=youtu.be

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Sobre as divulgações dos Panama Papers

Um post interessante no Ladrões de Bicicletas, publicado no ínicio das revelações.

Tenho tido discussões sobre a “enorme fuga de informação”, nomeada como “Panama Papers”. O meu espanto foi descobrir que o Expresso publicou – sem se espantar – uma nota do consórcio internacional de jornalistas de investigação em que os “maus da fita” eram – apenas – aqueles que são, sobretudo, os principais inimigos dos Estados Unidos ou que estejam ao largo do mundo ocidental.

[…]

Mas sempre foi assim. Regresse-se, por exemplo, aos anos 20, após a Grande Depressão.


Durante esse tempo, em que bancos ruíram, linhas de crédito secaram e os governos optaram por políticas rígidas de “dinheiro seguro”, tudo isso propiciou a “reciclagem” de dinheiro conseguido em actividades ilegais.

O crime expandiu-se para o jogo e para a droga e a organização criminosa precisou de criar o seu próprio sistema financeiro. Desde que, em 1931, a Internal Revenue Service (IRS), nos Estados Unidos, conseguiu apanhar Al Capone, essa necessidade tornou-se premente. E a alternativa baseou-se em praças financeiras conhecidas.

Esses fluxos são, por exemplo, descritos por R.T. Taylor, um professor Universidade McGill, de Montreal, formado pela Universidade de Toronto, London Scholl of Economics e King’s College de Cambridge. No seu famoso livro Hot Money (1987), fala-se como em 1932, Meyer Lansky, aliado de Al Capone, levou a sua primeira remessa para a banca suíça, para criar uma conta bancária em nome do governador do Luisiana que tinha autorizado o empório das slot-machines. E que a partir daí esse foi o trajecto habitual dos dinheiros ilegais. Uma parte seguia pelo norte, via Canadá.

Mas sobretudo nos anos 50/60, a maioria dos fluxos passou a seguir via sul, através de Miami, ou Bahamas, para serem localmente depositados ou transferidos para a Suíça, às vezes com passagem também pelo Liechtenstein. A partir daí, poderiam voltar “lavados” para os Estados Unidos. Assumiam a forma de falsos empréstimos a Lansky, cujos juros pagos — por Lansky — tinham a vantagem de abater lucros das actividades reais.

[…]

Um dos conselheiros de Henry Kissinger, Richard Allen, aparece ligado à criação de uma zona offshore nos Açores. O seu sonho era criar uma república offshore como plataforma das grandes multinacionais. Tentou inclusivamente que o governo norte-americano arranjasse forma de, já pós-25 de Abril de 1974, a criar nos Açores, através de um referendo sobre a sua independência face a Portugal, ou mesmo apoiar a independência unilateral das ilhas. Mas o projecto ruiu. Seis anos depois surgiria a zona franca da Madeira.

[…]

O ponto de viragem na opinião política ocorreu com a crise de 2008/09 e com o papel que a banca teve nessa crise. Da reunião dos G20, em Abril de 2009, em Londres, saiu um documento anunciando uma guerra aberta aos paraísos fiscais, o G20 Tax Haven Crackdown. Basicamente, determinou-se que cada paraíso fiscal teria de assinar pelo menos 12 acordos de troca de informação fiscal.

Em apenas oito meses, mais de 300 acordos foram assinados. Mas a eficácia desta medida tem sido questionada em artigos académicos.

Primeiro, até ao início deste ano, o número de tratados assinados já ia em 590, dos quais 555 em que, pelo menos, um dos assinantes foi um país com um paraíso fiscal. Parece um número considerável, mas para que haja o efeito de uma rede à escala mundial —– sem buracos —– ter-se-ia de assinar cerca de 11 mil acordos. Ou seja, ainda falta a maior parte.

[…]

Apesar disso, os “buracos” na rede mantêm-se. Primeiro, os efeitos da troca automática de informação entre bancos e autoridades fiscais não funciona porque os governos de 18 dos 52 paraísos fiscais não assinaram a directiva, sendo sempre possível movimentar activos para esses paraísos. Segundo, porque a directiva apenas atinge os bens directos. Se um rendimento for detido por uma fundação ou trust sediado num país não aderente à directiva —– que podem servir de biombo para um beneficiário que é cidadão da UE —, isso permitirá novamente a evasão. Em terceiro lugar, o conceito de rendimento tributado é limitado: apenas se aplica a cidadãos (não a firmas) e não abrange uma gama vasta de investimentos financeiros.

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Austeridade, qual Austeridade? IX

Der Terrorist

[Na Sábado]

O Banco de Portugal aceitou vender a Finangeste, uma empresa que valia 62 milhões de euros, por 35 milhões a uma firma com 4 mil euros de capital.
Dez dias depois, a H.I.G. Capital, uma firma de investimento baseada nos Estados Unidos que gere um património de 17 mil milhões de euros, anunciou a compra de duas carteiras de activos imobiliários à Finangeste, compostos por 77 imóveis e 114 empréstimos garantidos, com um valor facial de 110 milhões de euros.

Duarte Schmidt Lino, um dos accionistas da compradora-logo-vendedora Finageste, escrevia a meias um blog com Pedro ‘vem emigrante’ Lomba, secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, e é accionista e vogal do conselho de administração do Observador, o jornal da direita com swag.
Como dizem os pantomineiros de direita quando a conversa não lhes agrada, “se o senhor tem alguma suspeita ou sabe de alguma coisa participe à Procuradoria-geral da República”.

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A verdade sobre a liberdade de escolha

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