Category Archives: Austeridade

It’s mercantilism, stupid

Os meus conhecimentos económicos não são suficientes para saber se a analogia é correcta, mas a comparação da austeridade na Europa com o mercantilismo é interessante:

By contrast, we find little reporting of the considerably stronger spread of EU mercantilism, the witch’s familiar of fiscal austerity. Adam Smith defined mercantilism as government policy that seeks to “restrain imports and encourage exports”. It is as applicable to current EU austerity programmes as it was to Smith’s world three centuries ago.

In the 18th century governments used direct restrictions on imports and other market interventions in an attempt to achieve permanent trade surpluses. Governments implement the 21st century version of mercantilism with different policy instruments. In the place of direct restrictions on trade we now see real wage reductions, manipulation of business taxes, and currency depreciation through loose monetary policy (so-called quantitative easing and negative interest rates).

This “market friendly” version of mercantilism allows the ideologues to maintain the fiction of “free trade” while pursuing the mercantilist goal of persistent trade surpluses. This perverse inversion of rhetoric seeks to justify recovery in Europe based on beggar-thy-neighbour policies.

[…]

How times have changed. The seizure of policy debates by advocates of austerity has rehabilitated trade surpluses from mercantilist delusion to competitive virtue. For the theologists of austerity the national equivalent of household prudence means consuming and investing less than a country produces. Contrary to common sense the new economic theology considers this squandering of national resources as “saving”.

[…]

The table below shows two growth rates for Germany and five other euro zone countries over eight years, 2008-2015. The five are the infamous PIIGS, countries that showed varying degrees of resistance to European Commission pressure to undertake fiscal austerity in exchange for assistance to ailing financial institutions. The first column of numbers reports the usual measure of growth, gross domestic product. The second subtracts each country’s trade balance from its GDP. This might be called “domestic income”, what is left for residents after adding in imports and subtracting exports.

The last column is the difference between the two, which in all cases is negative and except for Germany substantial. The difference for Greece is the largest, overall GDP declining at an annual rate of 3.8%, while domestic income contracted at almost 6%. Ireland provides a striking case, especially because the EC austerity ideologues hold it up as a case of successful recovery. Even for this star pupil of austere recovery, the income available to Irish residents declined.

 

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A nova Europa

Vicenç Navarro no Esquerda.net

O sr. Timothy Geithner, secretário do Tesouro (equivalente ao ministro das Finanças) do governo federal dos Estados Unidos da América durante o mandato do Presidente Obama, escreveu recentemente nas suas memórias que lhe surpreendeu a atitude manifestada pelo Sr. Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças do governo alemão (presidido pela chanceler Angela Merkel), em relação ao governo grego nas negociações que então decorriam (em 2010) sobre a raiz do problema criado pela dívida pública que o Estado grego tinha acumulado, e que considerava de difícil resolução dada a incapacidade do governo em pagar aos seus credores.

[…]

Grande parte desta dívida grega procedia, como muito acertadamente havia descrito o Wall Street Journal num artigo de 10 de julho desse ano, 2010, (“The Submarine Deals That Helped Sink Greece”), dos enormes investimentos em equipamento militar feitos pelo governo grego. […] A Alemanha, por sua vez, era uma das maiores beneficiárias daquela situação.

Todavia, a reunião dos ministros das Finanças do G-7 não incluiu uma discussão sobre a dívida grega, mas um debate sobre como resolver a crise financeira que podia surgir devido à insolvência do Estado grego e a sua incapacidade em pagar a sua dívida. Esse debate centrou-se em duas posturas. Uma, a defendida pelo próprio Timothy Geithner, que defendia que o Banco Central Europeu interviesse, comprando – como faz o Banco Central dos Estados Unidos da América, o Federal Reserve Board, – dívida pública. Propunha assim que o Banco Central Europeu fosse o credor de última instância nos casos em que os Estados não conseguissem encontrar empréstimos no mercado financeiro. Segundo Geithner, era a maneira mais fácil para prevenir as crises financeiras.

No entanto, a sua surpresa foi ver que o ministro alemão não queria nem considerar esta alternativa, pois não queria resolver a crise. O que queria era utilizá-la para impor aos países periféricos, como a Grécia, as mudanças que o governo alemão desejava que fizessem e que solidificariam o poder central e hegemónico que a Alemanha tinha na Zona Euro. Como afirmou o ministro alemão, o Sr. Schaüble, “a crise não era uma ameaça, mas uma oportunidade”, uma oportunidade para disciplinar os países da Zona Euro (e em especial os que, como Grécia e Espanha – segundo Schaüble -, “tinham sido muito pouco disciplinas, gastando acima das suas possibilidades”).

Daí se deduzia o seu ênfase na austeridade (exigindo-lhes um deficit público zero – através do Tratado Orçamental – que praticamente proíbe os países de terem deficit público) e nas reformas estruturais (que constituem sobretudo as reformas laborais destinadas a reduzir os salários).

Estas reformas impostas pelo ministro alemão eram, na realidade, um ataque frontal às classes trabalhadoras (incluindo a alemã) dos países da Zona Euro. A redução dos salários (através das reformas laborais) e da proteção social (através dos cortes) eram os elementos chave de tais políticas, que eram nem mais nem menos que a velha luta de classes a nível continental, em que o mundo do capital (hegemonizado pelo capital financeiro) impunha os seus interesses perante o mundo do trabalho. E tal ataque justificou-se na necessidade de aumentar a competitividade, tendo a Alemanha como modelo a seguir. As famosas reformas Hertz levadas a cabo pelo chanceler social-democrata Schröder, e prosseguidas pelos governos Merkel, eram parte deste ataque e deterioraram muitíssimo as condições do mercado de trabalho alemão, condição para o seu êxito como país exportador.

[…]

A banca alemã, cujo porta-voz era e é, na prática, o Sr. Schäuble, o ministro das Finanças do governo Merkel, é o maior proponente desta estratégia, proposta pelo capital financeiro aliado com o capital produtivo exportador (este é o setor empresarial, muito centrado na manufatura de material de alto valor acrescentado (que significa tecnologia avançada) para o qual o ex-chanceler alemão, o Sr. Schröder, agora trabalha como empregado). O ideólogo da banca alemã é o Sr. Josef Ackermann, o Presidente do Deutsche Bank, (apresentado no ano 2011 pelo New York Times “como o banqueiro mais poderoso (e perigoso) da Europa”. O Sr. Ackerman é muito próximo da Sra. Angela Merkel e do Sr. Jean-Claude Trichet, que era então Presidente do Banco Central Europeu.

Tal banqueiro disse claramente, num discurso no Conselho Atlântico, que “o governo alemão sabia muito bem como resolver a crise (que era a proposta sugerida pelo Sr. Geithner), mas que não queria resolvê-la, pois o que era mais necessário agora era pressionar os países para que aceitassem o que o governo alemão estava a propor” (citado no artigo de Andrew Gavin Marshall, “Between Berlin and a Hard Place”, Z-Magazine, set. 2015, do qual extraio vários dados para este artigo), sublinhando que isso era necessário para que a Europa pudesse ser competitiva, sendo a Alemanha quem definia o significado de competitividade.

[…]

A dívida grega no ano 2010 era possuída pelos bancos alemães (68.000 milhões), franceses (43.000 milhões), italianos (38.000 milhões) e espanhóis (25.000 milhões). O primeiro resgate à Grécia foi, na realidade, para resgatar estes bancos, como reconheceu um antigo Presidente do Banco Central Alemão, o Sr. Karl Otto Pöhl, que afirmou que “o resgate à Grécia era na realidade um resgate aos bancos, e em especial aos bancos alemães e francês” (também podia ter acrescentado os bancos italianos e os espanhóis).

O segundo resgate à Grécia foi para que o Estado grego pudesse pagar os juros da dívida pública aos seus credores: a troika e os Estados que haviam comprado dívida pública aos bancos privados no primeiro resgate. Só uma minoria de todo dinheiro transferido para a Grécia nestes resgates (desde o primeiro resgate em 2010) foi para ajudar a Grécia. Os 90% foram para beneficiar instituições financeiras.

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O bom exemplo Alemão

Jornal de Negócios

Quando os investidores enfrentam dificuldades procuram tipicamente um mercado seguro para o seu dinheiro, e a sólida economia alemã “beneficiou desproporcionalmente” desse facto durante a crise da dívida na Grécia, lê-se no estudo, acrescentando que as poupanças “excedem os custos da crise, mesmo se a Grécia não pagasse todas as suas dívidas”.
“Nos anos recentes, cada vez que os mercados financeiros souberam de notícias negativas sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram, e cada vez que as notícias foram boas, estas subiram”, defende o documento.
O Instituto de Investigação Económica Leibniz defende que o equilíbrio orçamental alemão só foi possível graças às poupanças em taxas de juro por causa da crise de dívida grega.
Os estimados 100 mil milhões de euros que a Alemanha poupou desde 2010 constituíram cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Outros países como os Estados Unidos, a França e a Holanda também beneficiaram, mas “a um nível muito mais reduzido”.
O dinheiro investido pela Alemanha em pacotes de resgate internacionais chegou a cerca de 90 mil milhões de euros.
Mas segundo o instituto alemão, “mesmo que a Grécia não devolva nem um cêntimo, a bolsa pública alemã beneficiou financeiramente da crise”.
É esta a moeda única que temos, e quem ainda não percebeu que assim não dá não sei que mais lhe diga. Ide estudar.

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Portugal Está Melhor ™ VIII

Esquerda.net

De acordo com os dados do Ministério da Justiça, as dívidas até 500 euros aumentaram 54% entre 2013 e 2014, sendo que a maioria diz respeito a fornecimento de bens e serviços. Dívidas com água, luz e gás cresceram 10% neste período.
Em 2014, deram entrada no Balcão Nacional de Injunções 206 980 dívidas, face às 185 024 registadas em 2013. As dívidas de montante inferior a 500 euros foram as que mais contribuíram para este aumento.

No ano passado, foram comprovadas no BNI 62 164 dívidas de valor inferior a 500 euros, mais 21 765 do que em 2013, o que representa um crescimento de 54%. A maioria destas dívidas diz respeito a fornecimento de bens e serviços. Dívidas com água, luz e gás cresceram 10% neste período.

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Depois do FMI, eis o ex-conselheiro de Barroso a fazer campanha contra o PaF

O economista britânico Philippe Legrain ao DN

Teve uma troca acesa de opiniões no Twitter com Bruno Maçães sobre a situação portuguesa. Acredita que o secretário de Estado está a tentar “dourar a pílula” da situação portuguesa?

Com eleições à porta, o governo está a defender o seu terrível recorde – inclusive recorrendo à propaganda de que Portugal “deixou os seus problemas para trás”, como Maçães escreveu. É propaganda e é um absurdo.

[…]

Polémicas à parte: que análise faz da atual situação económica e financeira portuguesa?

A economia portuguesa está a beneficiar de fatores externos positivos.[…] Internamente, a extrema austeridade de 2011-12 foi aliviada: o aperto fiscal é muito menor neste ano. [ed: Que se lixem as eleições? Pois…] Como resultado a economia está a crescer outra vez, lentamente. Mas Portugal ainda está num buraco fundo. A economia está ainda 7,5% mais pequena do que no seu pico no início de 2008 – na verdade está mais pequena do que em 2002 – e ao nível atual de crescimento de 1,5% não vai voltar aos níveis de 2008 antes de 2020: mais de uma década perdida. As dívidas globais – das famílias e das empresas – são insuportavelmente grandes. Os bancos ainda estão numa confusão, com o escândalo do BES à cabeça. Os salários caíram. A pobreza aumentou. O desemprego continua altíssimo. Muitos portugueses emigraram. Ajustando para a população ativa que não tem trabalho e o subemprego, o FMI calcula uma redução do mercado de trabalho de 20%. O FMI também diz que as reformas portuguesas foram inadequadas e que ainda têm de produzir benefícios. Portugal é um país europeu relativamente pobre. Devia estar a aproximar-se dos mais ricos através de mais investimento e aumentando a produtividade. Em vez disso, está a posicionar-se para ser ultrapassado pela Polónia e outros. É trágico.

Pelo que diz, o programa de assistência a Portugal foi malsucedido. Quem foi o responsável: o governo ou a troika?

O programa falhado foi projetado pela troika dentro das limitações políticas definidas pela Alemanha. E foi entusiasticamente implementado pelo governo português, que tentou ser “mais alemão do que os alemães”. Mas as consequências foram desastrosas: uma longa e desnecessária depressão da qual o país ainda não recuperou e que perversamente causou uma dívida pública tão alta que ultrapassa o produto interno bruto.

[…]Que modelo deve a Europa seguir para ultrapassar esta crise? Ou pegando no seu livro: como pode haver a tal “Primavera Europeia”?

A Europa precisa de uma Primavera Europeia de renovação económica e política. Precisamos de resolver de uma vez por todas a crise de forma decisiva e justa, reduzindo as dívidas insuportáveis, tanto privada como pública, limpando os bancos, e aumentado o investimento, com a Alemanha a desempenhar o seu papel na dinamização da procura interna. Precisamos de reformas para tornar as nossas economias mais dinâmicas, focando-se no aumento da produtividade e, consequentemente, nos padrões de vida, e não de cortar salários numa demanda germânica da “competitividade”. E precisamos de políticas muito mais abertas e honestas que antecipem o interesse público em vez dos interesses particulares (em particular o setor financeiro) e que permitam às pessoas legitimar escolhas democráticas sobre questões cruciais como a tributação e a despesa.

No livro escreve que a Europa está uma confusão. Quem são os responsáveis?

A narrativa alemã de que a crise é culpa de toda a Europa do Sul é falsa. A Europa está numa confusão por muitas razões. Empréstimos excessivos feitos por um setor financeiro mal regulado a mutuários insensatos. As políticas mercantilistas da Alemanha – baixar salários para subsidiar as exportações e acumular enormes superavits externos – que alimentaram maus empréstimos dos bancos alemães nos anos pré–crise e que agora exportam deflação. O poder dos interesses instalados em todos os países que reprimem as oportunidades e roubam o valor criado por outros. Decisões políticas catastróficas tomadas pelos decisores da zona euro, especialmente Angela Merkel.

O euro está condenado ao fracasso ou ainda se pode salvar?

Economicamente, a zona euro é um inteiro desastre. A economia está 1,5% mais pequena do que o seu pico de há sete anos; no mesmo período, os EUA, que também tiveram uma grande bolha seguida de uma crise financeira, cresceram quase 10%. Desde que o euro começou a falhar, como até Mario Draghi admite, está a ser mantido por políticas de estímulo: a crença de que o futuro do projeto europeu está dependente delas, o interesse próprio de credores poderosos de cada país e o medo das consequências de uma separação desordenada. Mas, a menos que a zona euro comece a produzir padrões de vida mais elevados para todos de uma maneira que respeite as democracias nacionais – sugeri que precisávamos de uma zona euro mais flexível para conseguirmos isso -, este casamento infeliz vai acabar eventualmente em acrimónia.

[…]

No seu entender, a comissão Barroso fracassou em todas as intervenções que teve na crise europeia?

As autoridades da zona euro em geral falharam miseravelmente aos europeus.

 

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Austeridade, qual Austeridade? (versão FMI)

Msn

“Temos uma coisa chamada ‘Hellenic Financial Stability Facility’, uma ramificação do ‘European Financial Stability Facility’, fundo que recebeu 50 mil milhões para recapitalizar a banca grega. Este é dinheiro que os contribuintes gregos pediram emprestado para impulsionar a banca mas, enquanto ministro das Finanças, não me deixaram escolher o CEO e nem sequer podia participar nas relações do fundo com os bancos. O povo grego, que nos elegeu, não tinha assim qualquer controlo sobre como é que este dinheiro foi e é usado”, começa por apontar Varoufakis.

Depois de estudar a lei que criou estes mecanismos, “descobri que só tinha um poder sobre estes, que era o de determinar o salário desta gente. Percebi que os salários destes funcionários eram monstruosos para os padrões gregos. Num país com tanta fome e onde o salário mínimo foi cortado para 520 euros, esta gente ganhava qualquer coisa como 18 mil euros por mês”, revela.

Assim, “decidi exercer o meu único poder e usei uma regra muito simples: se as pensões e os salários caíram em média 40% desde o início da crise então decretei um corte de 40% nos salários destes funcionários. Mesmo assim ficavam com um salário elevadíssimo. Sabe o que aconteceu? Recebi uma carta da troika a dizer que a minha decisão tinha sido anulada pois não estava devidamente justificada. Ou seja, num país onde a troika insiste que as pessoas que vivem com 300 euros por mês devem viver com 100 euros por mês, recusaram o meu exercício de corte de despesas e anularam os meus poderes enquanto ministro para cortar os salários desta gente.”

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Portugal Está Melhor ™ VII

Jn

A economia portuguesa entrou novamente numa situação de desequilíbrio externo. O “problema” dissipou-se na segunda metade do programa da troika, reflexo das políticas de ajustamento (redução do crédito, do consumo, do investimento), mas este ano a balança corrente e de capital (sobretudo a corrente) tornou a derrapar, tendo registado o maior défice desde 2012 no período de janeiro a maio (acumulado).

De acordo com os dados atualizados do Banco de Portugal, as maiores drenagens de rendimento acontecem nos investimentos de carteira: o saldo de juros, associados a operações de empréstimos a menos de um ano, está em 810,9 milhões de euros negativos; nos rendimentos de investimentos em “participações de capital e fundos”, o desequilíbrio ascende a 579,3 milhões de euros.

Este último item engloba “rendimentos de investimento de carteira sob a forma de dividendos e outros rendimentos de participação no capital social” (que não os de investimento direto) “decorrentes da detenção de ações, unidades de participação [fundos], depositary receipts e outros de natureza análoga”, explica uma nota do Banco de Portugal.

 

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A farsa

Esquerda.net

Bruno Maçães quer estender a narrativa do governo sobre a evolução do emprego à imprensa internacional e não poupou esforços nos últimos dias para atacar uma notícia do Wall Street Journal. O artigo publicado na sexta-feira sobre os efeitos da austeridade em Portugal falava do desemprego e da emigração sem paralelo nas últimas décadas e Maçães não gostou, e logo no sábado repetiu os números de Passos Coelho sobre criação de emprego, que simplesmente anulam a primeira parte do mandato do governo.

Bruno Maçães voltou à carga esta segunda-feira no Twitter, altura em que o debate passou a envolver também o chefe de redação do Wall Street Journal em Bruxelas, Stephen Fidler, que garantiu a Maçães que o governante português era a primeira pessoa a quem ouvia defender que a crise começou em 2011.

O governo já está tanto na extrema direita que até o WSJ o contradiz…

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Austeridade, qual Austeridade? VII

Esquerda.net

O consórcio Gateway, do norte-americano David Neeleman e Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, vencedor da privatização da TAP, pretende financiar a empresa através da alienação de ativos que posteriormente alugará. Confuso/a? Soa-lhe estranho? Não, é apenas a história de mais uma privatização em Portugal.

Os novos proprietários vão vender parte dos aviões da TAP, que continuarão a utilizar através de um contrato de empréstimo, prevendo obter com a operação cerca de 100 milhões de euros.

Segundo o Jornal de Notícias, esta foi uma das medidas de capitalização apresentadas ao executivo de Pedro Passos Coelho. Outra, não menos “curiosa”, passa por “utilizar fontes de financiamento que a companhia atualmente já tem ao seu dispor”. Ou seja, tudo ferramentas de gestão que a empresa já detinha quando era pública e bem longe das promessas de injeção de liquidez que Governo e o agrupamento candidato prometiam publicamente.

Para o governo PSD/CDS era imprescindível privatizar a empresa e retirar o Estado do seu controlo. Curiosamente, a saída do Estado português vai ser colmatada com a entrada do Estado brasileiro, através do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDS), que a Gateway apresentou como parceiro e futuro acionista. “Estamos extremamente satisfeitos com o elevado nível de apoio, incentivo e orientação que estamos a receber ao mais alto nível do Estado brasileiro”.

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Sete boas razões para (não) privatizar

Catarina Martins no Esquerda.net

Privatiza-se porque os mercados liberalizados garantem os melhores preços para os consumidores. E assim se venderam a EDP e a REN e a conta da luz aumentou 30%. E assim se vendeu a ANA e as taxas de aeroporto aumentaram outro tanto.

2. Privatiza-se porque a gestão privada é que é boa e espera-se que ninguém se lembre da PT, do GES, do BES e as tantas outras falências de gigantes privados.

3. Privatiza-se porque o país precisa de dinheiro e assim se venderam os CTT por metade do preço que valem hoje em bolsa, muito embora mantenham exatamente os mesmos bons resultados que tinham. Mas com uma diferença: agora os dividendos não ficam no Estado. Como os da EDP, da REN, da ANA, também os lucros dos CTT vão agora para o estrangeiro.

4. Privatiza-se porque há uma dívida das empresas para pagar. Mas a dívida nunca vai com o negócio. Na TAP, a dívida será paga, como nos últimos 20 anos, em que o Estado nunca lá pôs dinheiro, pelos proveitos da própria empresa. E em último caso, volta a bater-nos à porta. Nos transportes coletivos do Porto e Lisboa, a dívida entrou toda para o Estado e a concessão a privados é só da parte que dá lucro.

5. Privatiza-se porque assim novos investimentos surgem e mais emprego se gera. E a cada empresa privatizada só se ouve falar de reestruturações e ajustamentos, o que só quer dizer despedir e encolher.

6. Privatiza-se, enfim, para acabar com os jobs for the boys e as famigeradas PPP. E Eduardo Catroga, depois de negociar a venda do que restava da EDP no memorando da troika, lá foi para o conselho geral da EDP e para seu salário milionário. E José Luís Arnault, depois de ter estado, ora do lado privado ora do lado público, em quase todas as privatizações, lá foi para a Goldman Sachs, o maior acionista dos CTT. E quem ficar com os autocarros e metros do Porto e Lisboa receberá por km, quer tenha passageiros ou não, tal qual as PPP das ex-scuts, que o Estado paga aos privados passem ou não passem carros nas autoestradas.

7. Privatiza-se porque é seguro e dá menos dores de cabeça. As empresas privadas vão continuar a fazer serviço público porque prometeram. E nós acreditamos. Acreditamos que alguém assumirá por nós a responsabilidade que é nossa. Que uma empresa estatal chinesa nos vai fornecer sempre a energia de que precisamos, que um senhor americano vai garantir as ligações aéreas que nos unem à família lá longe, que um banco internacional será o garante do serviço postal na aldeia perdida do interior, que a empresa francesa garante que teremos o autocarro ou o metro que precisamos para ir para o trabalho ou a escola com o passe a um preço justo. Se não fosse um assalto, dir-se-ia que é um conto de crianças.

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