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Se forem alemães a dizê-lo, já levam a sério?

Heiner Flassbeck no Expresso, via Estátua de Sal

Se a forte correlação entre o CUT [custo das unidades de trabalho] e a inflação fosse reconhecida e colocada no coração da análise macroeconómica, tornar-se-ia claro que o principal requisito para unidade monetária de sucesso não seria o controlo sobre os assuntos monetários, mas a gestão das receitas e dos salários nominais. Para ser específico, o objetivo de inflação comum para a UEM foi definido pelo BCE a uma taxa próxima de 2%. Isto implicava que a regra de ouro para o crescimento salarial em cada economia seria a soma do crescimento de produtividade nacional mais 2%. Por esta medida, não ocorreriam as grandes discrepâncias de inflação que levam às discrepâncias de competitividade entre os Estados-membros.

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As preparações para a UEM foram profundamente falhadas porque em vez de se discutirem em detalhe as implicações de uma união monetária e em vez de se criarem as instituições necessárias para gerir com sucesso uma tal união, o debate político e as decisões tomadas nos anos até 1997 – altura em que os critérios para a entrada tinham de estar cumpridos – na realidade focaram-se na política fiscal.

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A Alemanha, com a sua intolerância absoluta a que a inflação excedesse os 2% e a sua tradição monetarista dogmática, silenciou qualquer outro ponto de vista sobre a inflação. No entanto, a Alemanha, o maior país da União Europeia e o bastião da estabilidade de várias décadas, decidiu experimentar um novo modo de combater o seu alto nível de desemprego. Em conjunto com os empregadores, o Governo pressionou os sindicatos para tentar restringir o crescimento nominal e real dos salários.

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A nova abordagem alemã ao mercado de trabalho coincidiu com a introdução formal da união monetária, o que levou consequentemente a enormes divergências nos custos nominais de unidades de trabalho entre os membros da UEM. A principal causa destas divergências foi o simples facto de os custos nominais das unidades de trabalho, a mais importante determinante de preços e competitividade, se terem mantido essencialmente sem oscilações desde o início da UEM. Em contraste, a maioria dos países da Europa da Sul tinha um crescimento nominal dos salários que excedia o crescimento da produtividade nacional mais o objetivo de inflação acordado em comum de 2% por uma margem baixa, mas bastante estável. França foi o único país que cumpriu exatamente o objetivo de crescimento nominal dos salários. Os salários franceses subiram em paralelo com a performance da produtividade mais o objetivo de inflação do BCE a uma taxa perto de 2%.

Embora a divergência anual entre os aumentos nos custos de unidades de trabalho fosse relativamente pequena, a dinâmica dessa “pequena” divergência anual é capaz de, com o tempo, produzir diferenças enormes. No final da primeira década de UEM, o custo e diferença de preço entre a Alemanha e a Europa do Sul chegava aos 25% e entre a Alemanha e França chegava aos 15%. Por outras palavras, a taxa de câmbio real da Alemanha tinha baixado muito significativamente, embora as moedas nacionais já não existissem na UEM. A divergência no crescimento dos custos das unidades de trabalho já não existiam no seio da UEM. A divergência no crescimento dos custos das unidades era naturalmente refletida nas divergências de preço equivalentes. Assim, a UEM como um todo alcançou quase na perfeição o objetivo de inflação de 2%, mas as diferenças de inflação nacionais no seio da união foram muito sensíveis.

É inegável que a depreciação real que aconteceu na Alemanha teve um enorme impacto nos fluxos de comércio. Com os custos de unidades de trabalho na Alemanha mais baixos relativamente aos dos outros países por uma margem crescente, as exportações alemãs floresceram enquanto as importações abrandaram. Os países na Europa do Sul e também França e Itália começaram a registar défices comerciais e de conta corrente crescentes e sofreram enormes perdas nas suas quotas dos mercados internacionais. A Alemanha, ao contrário, conseguiu preservar a sua quota apesar da competição global crescente com a China e com outros mercados emergentes. Num casulo, a Alemanha tem operado uma política de “pedinchar ao vizinho”, mas só de pois de ter “pedinchado ao seu próprio povo” essencialmente através do congelamento dos salários. Este é o segredo do sucesso alemão dos últimos 15 anos.

O comércio dentro da Europa tinha sido bastante equilibrado até ao início da união monetária e ao longo de muitos anos antes disso. A UEM marcou o início de um período de desequilíbrios rapidamente crescentes. Até após o choque da crise financeira e dos seus devastadores efeitos no comércio mundial, que são claramente visíveis no equilíbrio alemão, a tendência de fundo manteve-se sem mudar. A conta-corrente alemã continuou a aumentar depois de 2010 e até alcançou um novo recorde em 2015, da ordem dos 250 mil milhões de euros, um valor próximo de 9% do PIB.

Num mundo de taxas cambiais flutuantes ou ajustáveis, nenhum país pode ganhar uma vantagem permanente relativamente a outro país se este último tivesse a opção de ajustar as suas taxas cambiais de acordo com os diferenciais da inflação. Isto significa que seriam inúteis todas as tentativas para melhorar a competitividade por via de corte ou moderação de salários na UEM como um todo. E, no entanto, esta foi precisamente a abordagem escolhida pela Europa como saída para a crise. Foi também uma má opção porque o corte salarial na maioria dos países devedores conduziu a quebras severas na procura doméstica, que é mais importante do que a procura externa. A restrição dos salários foi contraproducente em economias com uma taxa de exportação do PIB muito inferior a 50%.

Numa união monetária, um país com uma taxa de exportação baixa que enfrente problemas de défice de conta-corrente muito alto devido a uma moeda implicitamente sobrevalorizada fica sem saída. O ajuste dos salários para baixo, por vezes erroneamente chamados “desvalorização interna”, não só não é solução como também destrói tanto a procura interna como a produção antes que venha a trazer algum alívio através de aumento das exportações.

É por isto que o processo de ajustamento no seio da UEM tem de ser pelo menos simétrico. Significa que o país que tenha implicitamente desvalorizado a sua taxa cambial – a Alemanha – teria de fazer um forte esforço de ajuste crescente, isto é, aumento de salários, enquanto outros países teriam de ajustar lentamente para baixo.

O incentivo mais fiável para o sucesso dos esforços de ajustamento em ambos os casos seria de novo o objetivo de inflação. Se o objetivo de inflação comum não fosse questionado, para restaurar a competitividade internacional dos défices dos países seria necessário aumentar os custos das unidades de trabalho e inflação no país com excedente ao ponto de se conseguir alcançar o balanço externo em ambos os lados da união monetária (incluindo os primeiros dez anos).

[…]

Em resumo, as divergências acumuladas durante os primeiros anos da UEM e a terrível natureza dos programas de ajustamento puseram em questão a própria sobrevivência da UE. E, no entanto, os líderes europeus parecem alheios a isso. Parecem ainda menos disponíveis para empreenderem um esforço político para inverter a economia em geral e impedir as divergências crescentes no seio da UEM. A perspetiva de desintegração e o decorrente colapso da união já não podem ser ignorados.

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A propaganda é uma coisa maravilhosa

Kevin West, a regular at Pulse, told the LA Times he had been messaging with Mateen on and off for a year on the gay dating app Jack’d. He says he never met Mateen in person until the night of the attacks. Also, one Pulse regular interviewed by the Sentinel said Mateen had been a regular at the club “for years.”

http://talkingpointsmemo.com/edblog/at-police-academy-fellow-students-thought-mateen-was-gay

“We went to a few gay bars with him, and I was not out at the time, so I declined his offer,” the former classmate said. He asked that his name not be used.He believed Mateen was gay, but not open about it. Mateen was awkward, and for a while the classmate and the rest in the group of friends felt sorry for him.

“He just wanted to fit in and no one liked him,” he said. “He was always socially awkward.”

http://www.palmbeachpost.com/news/news/orlando-shooter-omar-mateen-was-gay-former-classma/nrfwW/

The FBI is investigating reports that Orlando nightclub shooter Omar Mateen used gay dating apps and regularly visited Pulse before he shot more than 100 people inside, killing 49.

 At least five people have come forward saying they saw Mateen at gay clubs, painting a complicated portrait of the American-born Muslim whom the FBI believes was radicalized by terrorist groups.
É pá, tá decidido, vamos limitar as liberdades dos gays, são demasiado violentos.

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O Jogo Minado

O jogo começa com o campo inclinado e com a pressão da comunicação social, e o campeão actual ganha como esperado. Só que não era um jogo a dois, mas a quatro e passou a cinco, se bem que na realidade era a sete. E também não era um jogo, apesar de existirem muitos adeptos a apoiarem o seu clube sem conhecer a qualidade das jogadas e sem darem cinco segundos de atenção aos restantes. O resultado e o vencedor, se o há, ainda está por decidir uma semana depois.

Sobre o resultado, sinto necessidade de fazer alguns comentários.

O primeiro é que não estamos a falar de que 62% dos eleitores eram contra a coligação, nem de que 70% são a favor da NATO, do Euro ou de outra coisa qualquer. Para começar, 40% destes não votaram, por variadas razões, pelo que todos os valores passam quase a metade. Em segundo lugar, o que se pode extrair é quantos, dentro dos eleitores que votaram, escolherem eleger deputados nos vários partidos. No máximo, pode-se extrapolar a quantidade de votantes que preferiam ter este ou aquele primeiro ministro, porque há muita gente que vota assim.

Mais do que isso não existe. Não temos, por exemplo, voto preferencial, por isso não se pode saber contra quem se votou ou o quanto se desgosta de um determinado partido. Já quanto a outras matérias, nunca foram a votos, referendos, nem tão pouco estiveram em discussão na campanha. Além disso, nunca foi do interesse nem dos sucessivos governos nem da comunicação social informar os eleitores sobre custos e benefícios das escolhas feitas, mas estas foram unicamente apresentadas como o caminho único civilizado, ao bom estilo provinciano das “elites” nacionais no qual tudo o que vem de fora é que é bom.

A segunda questão é a resposta ao resultado. As nossas “elites” de comentadores, que tanto apregoam o seu pluralismo, a sua isenção, alguns até a necessidade de alternativa afinal querem tudo igual. Mudar, só um poucochinho, como se o mundo voltasse a 2007 e estivesse tudo tranquilamente mal e pudessem estar confortavelmente no seu megafone a dizer sempre o mesmo sem que nada mudasse. Não muda, não pode, porque a zona euro é o que é, tem uma moeda única que não funciona como moeda única e na qual a única opção económica é a estagnação e a transferência de valor do trabalho para o capital. Não adianta falar no medíocre crescimento, na subida das exportações, no aumento do emprego e outros incidentes quando não há economista que diga que há crescimento económico com taxas de juro negativas ou nulas e inflação nula, a acrescentar no caso português um PIB longe de atingir o de há 5 anos, quanto mais recuperar o tempo perdido. É uma contradição, nem sequer é preciso saber muito da coisa. Temos pena (não tenho nenhuma), mas a austeridade e a competitividade por salários cada vez mais baixos são coisas que nunca funcionaram, mesmo um IRC, TSU e demais impostos mais baixos não são a silver bullet do século XXI, muito menos no contexto de uma moeda única que não é uma moeda única.

Portanto, não são precisas mudançazinhas para tudo ficar na mesma, são preciso mesmo alternativas, mas, de repente, afinal ninguém quer mudar nada porque isso implica o risco de falhar e eles estão todos muito confortáveis, que interessa que 99% de quem os ouve não esteja? Esquecem-se que o mundo continua a girar e sempre a evoluir, quer as pessoas estejam preparadas quer não, e que é sempre melhor quando somos nós enquanto sociedade evoluímos com ele invés de levarmos com ele em cima. Mas assim é Portugal, e tão cedo não muda, porque quem tem poder, nem que seja para estar sempre na TV todas as semanas, tem sempre razão. Por alguma razão Marcelo irá ser Presidente, alguém lhe conhece uma ideia política que seja? Não que isto seja um exclusivo nacional, disto nada se inventa cá, importa-se, lembram-se?

“Bem, e então afinal onde estão as minas?”, perguntam vocês e perguntam muito bem, mas já devia ser óbvio. A armadilha é que, para não sucumbir à merda do situacionismo, quem tem de facto uma alternativa tem que o fazer no meio desta gentalha estagnada que não faz nem deixa fazer. E, ao contrário do que vende a TINA, não há soluções mágicas nem fáceis, são difíceis e vão ter custos, mas não me parece que as pessoas estejam preparadas para isso porque lhes é vendido que está tudo bem e estável, quando quem se deu ao trabalho de aprender alguma coisa nos últimos cinco anos vê que a economia europeia é um gigantesco baralho de cartas que vai ruir à próxima crise (e se com o “boom and bust” tão querido dos capitalistas é mais ou menos a cada dez anos, bem, não falta muito) com consequências imprevisíveis. A xenofobia e o racismo por aí andam, basta andar pela Internet para os ver alto e bom som, então agora com os refugiados nem é preciso uma pessoa esforçar-se. Quem estiver no poder vai ter obviamente toda a culpa do mundo de coisas mais que previsíveis e evitáveis, mas que “ninguém sabia”, como calha sempre aos ignorantes profissionais dizer nestas alturas.

E aí pode morrer a alternativa, porque afinal estes idealistas não percebem a realidade, se tivessem seguido o caminho único estávamos todos no paraíso, como se os 99% não estivessem na merda na mesma. É esta a armadilha que me faz ter medo, porque Portugal é isto e tão cedo não muda.

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Porque o Facebook nem sempre é mau

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Como mostrar-se sociopata em apenas um minuto

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Lá estão os tribunais outra vez a ser do contra

No Esquerda.net

ASAE multa Pingo Doce com coima de 500 mil euros por venda com prejuízo no 1º de Maio de 2014. A entidade fiscalizadora encontrou para venda ao público “diversos produtos alimentares e não alimentares cujos preços apresentavam ilegalidades”.

Esta prática constitui infração no âmbito das vendas com prejuízo, cujo diploma legal prevê uma coima entre o limite mínimo de 5.000 euros e 2,5 milhões de euros.

Só não percebo o que é que uma empresa precisava de fazer para multa máxima, só se for dar tudo de graça.

 

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Portugal Está Melhor ™ IV

RTP

O número de casos que envolve crianças e jovens em risco tem vindo a aumentar.
O último Relatório revela que em 2013 foram sinalizados 71 mil casos, mais do que no ano anterior, que registou 69 mil processos.
Entre as várias situações de perigo comunicadas às Comissões de Proteção de crianças, 8600 processos instaurados dizem maioritaiamente respeito a casos de crianças sujeitas a violência doméstica.

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O nascimento de uma meme

Der Terrorist

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Transportes Ferróviários

Público.pt

O Conselho de Ministros aprovou, nesta quinta-feira, os decretos-lei que vão permitir avançar com a privatização da CP Carga e da EMEF. Os diplomas terão agora de ser promulgados pela Presidência da República e só depois será criada uma comissão de acompanhamento e aprovado o caderno de encargos que dita as condições de venda das duas empresas públicas.

Depois de os quadros mais qualificados e com maior experiência terem saído graças ao tratamento que têm sofrido ao longo dos anos, o futuro será, sem dúvida, risonho.

Mas a imaginação do governo não pára por aqui

Mas a electrificação das linhas permitirá criar novos serviços e ligações mais rápidas e directas entre algumas cidades. Assim o queira a CP, que praticamente deixará de ter dores de cabeça com uma frota diesel envelhecida e passará a poder gerir a sua operação com comboios eléctricos em todas as linhas.

Como se a frota eléctrica fosse nova ou esteja em grandes condições… Dá jeito saber do que se fala.

A electrificação da linha do Oeste (135 milhões de euros) poderá pôr esta região na geografia ferroviária nacional se a CP fizer comboios directos de Lisboa a Coimbra e Porto, servindo Torres Vedras, Caldas da Rainha, Marinha Grande e Leiria.

Com que comboios?

Mas onde passam comboios de mercadorias também passam composições de passageiros e, tecnicamente, nada impedirá que a CP prolongue o seu serviço Intercidades de Évora até Elvas e Badajoz.

Nem merece comentários.

Tudo isto depende da capacidade de inovar da CP aproveitando as “novas” infra-estruturas.

Com o dinheiro que nunca existiu para a CP? Não me digam, vão ser os privados que o vão fazer, coisa que não acontece à um século.

A empresa inverteu recentemente a política de divisão em unidades de negócios, voltando a integrar serviços que antes eram quase empresas autónomas.

A culpa foi, certamente, da falta de productividade dos funcionários púbicos.

 

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Há que sonhar

Diário de Notícias

Merkel diz que acto de co-piloto foi “um crime contra as vítimas e as famílias”

Por outro lado, se pensava que ias lá dentro, é desculpável…

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